Mais de 450 organizações e colectivos na Europa e América do Sul formaram a Aliança “Não ao Acordo UE-Mercosul”.
Como o nome indica, o objectivo da aliança é combater a ratificação do Acordo UE-Mercosul. Na sua página conjunta as organizações explicam as razões pelas quais se opõem ao acordo comercial:
Nós, as organizações abaixo assinadas, apelamos aos líderes políticos de ambos os lados do Atlântico para que interrompam o acordo de livre comércio União Européia-Mercosul.
O acordo UE-Mercosul pertence a um modelo comercial do século 20, ultrapassado e que se provou inadequado para o planeta. Um modelo que serve aos interesses corporativos à custa dos limites planetários, de inaceitáveis desigualdades sociais e do bem-estar animal.
Os objetivos e os elementos centrais deste acordo estão em oposição direta à ação climática, à soberania alimentar e à defesa dos direitos humanos e do bem-estar animal. O acordo de livre comércio incentivará ainda mais a destruição e o colapso da biodiversidade da Amazônia, do Cerrado e do Gran Chaco devido à expansão das cotas pecuárias e de etanol, perpetuando um modelo extrativista de agricultura exemplificado pelo sobrepastoreio (uso intensivo do solo que leva à sua degradação), expansão de confinamentos pecuários de monoculturas quimicamente intensivas. Abusos de direitos humanos são parte intrínseca das cadeias de produção visadas no acordo. Assiná-lo daria um forte sinal político de que tais abusos hediondos são aceitáveis.
O acordo comercial irá destruir os meios de subsistência tanto na Europa quanto na América do Sul, prejudicando a agricultura familiar e trabalhadores. Visando comercializar commodities agrícolas por carros poluentes, o acordo representa uma ameaça iminente aos empregos industriais nos países do Mercosul. Ele perpetua o caminho de dependência das economias sul-americanas como exportadoras baratas de matérias-primas, que por sua vez são obtidas por meio da destruição de recursos naturais vitais, em vez de promover o desenvolvimento de economias sólidas, diversificadas e resilientes.
Para um futuro viável, um modelo de comércio do século 21 deve apoiar, em vez de minar, os esforços para criar sociedades socialmente justas e ecologicamente resilientes, baseadas nos princípios de solidariedade, proteção dos direitos humanos e de nossos limites planetários. Cidadãos de toda a Europa e América do Sul estão se unindo contra o acordo UE-Mercosul e trabalhando por um futuro melhor. Nós, as organizações abaixo assinadas, fazemos parte deste movimento que exige que os governos interrompam o acordo UE-Mercosul!
Esta mobilização das sociedades civis de ambos os lados do Atlântico pode dar um contributo decisivo para impedir a ratificação de um acordo que vai baixar salários, gerar desemprego, destruir amazónia e estimular o genocídio dos povos indígenas.
Em Portugal, onde a população se mostra particularmente oposta a este acordo, ao contrário do seu governo, é possível ajudar a combater a ratificação deste acordo assinando e difundindo a petição da Rede Stop UE-Mercosul Portugal.






