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As vozes dos trabalhadores nos países do Mercosul não estão a ser ouvidas!

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As vozes dos trabalhadores nos países do Mercosul não estão a ser ouvidas!

A Coordenadoria de Centrais Sindicais do Cone Sul, uma organização internacional que reúne as mais importantes centrais sindicais da região, declarou em comunicado que o acordo seria «a sentença de morte de nossas indústrias». Este acordo abrirá o mercado regional sul-americano aos produtos industriais do velho continente, tendo “um funesto impacto no sistema produtivo da região em geral” e, consequentemente, para os trabalhadores, tanto com relação à quantidade quanto à qualidade dos empregos, além de resultar em situações imprevistas de deslocamento social (migrações do campo para a cidade, desemprego industrial em massa).

A entidade, que aglutina 20 centrais sindicais da Argentina, Brasil, Chile, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Venezuela, denuncia também os riscos da “triangulação” de produtos elaborados em países fora do acordo, onde os salários são muito baixos e os direitos laborais mais básicos não são respeitados; e a questão dos serviços estratégicos para o desenvolvimento das nações, entre outros.

A investigadora argentina Luciana Ghiotto, co-autora de um relatório sobre o acordo, corrobora este ponto, tendo declarado em entrevista que «Se o acordo fôr bem-sucedido, se vão aprofundar as assimetrias entre ambas as regiões». O relatório aponta ainda preocupações do efeito sobre a concentração de capital: “Os setores que vão se beneficiar em ambos os blocos são os que já são mais competitivos – na UE, o setor industrial e setor exportador de capitais, no Mercosul, o agronegócio”, pontua.

Os efeitos deste acentuar de assimetrias são já observáveis nos acordos de comércio entre a União Europeia e o Peru ou a Colômbia. Foi prometida uma diversificação mas, ao invés, verificou-se a intensificação da extração de recursos naturais e maior dependência económica destes sectores, com uma vasta destruição de tecido industrial e produtivo. Observou-se também concentração do capital (frequentemente em mãos estrangeiras) nos sectores das exportações. Em paralelo, intensificou-se o ritmo da destruição florestal.

A Associação Nacional de Empresários da Argentina denuncia que as pequenas e médias empresas serão as mais afetadas por essas políticas, os únicos beneficiários do pacto de livre comércio seriam grandes empresas multinacionais e exportadoras do agronegócio, em detrimento das indústrias locais. Este acordo foi delineado para abrir portas aos grandes concorrentes do mercado respectivo, destronando os pequenos e médios empresários já estabelecidos, principalmente no mercado do Mercosul, com grandes multinacionais europeias da área de automóveis, peças de carros, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos a entrarem com seus produtos e tecnologias num mercado mais pequeno, incapaz de competir com estas.

Um estudo de Dezembro de 2017 do Observatório de Emprego, Produção e Comércio Estrangeiro (ODEP) e da Universidade Metropolitana (UMET) da Argentina estimou que neste país está em risco um total de 186 mil empregos devido às exportações europeias nos sectores de componentes automóveis, maquinaria, indústria química, têxteis e calçado. O acordo poderia ainda facilitar a “triangulação” de bens (principalmente têxteis) da Índia e da China para a América do Sul, aumentando os lucros de multinacionais como a Zara e a H&M à custa da destruição de empregos na América do Sul.