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Comissão criada pelo governo francês alerta para perigos do acordo UE-Mercosul

Comissão criada pelo governo francês alerta para perigos do acordo UE-Mercosul

Comissão criada pelo governo francês alerta para perigos do acordo UE-Mercosul

De acordo com o jornal Le Monde, que obteve o documento de 194 páginas, a comissão de especialistas criada pelo governo francês para avaliar os impactos ambientais e sanitários do acordo UE-Mercosul concluiu que ele pode acelerar a desflorestação na América do Sul e não oferece garantias suficientes de combate às  alterações climáticas. Uma síntese das conclusões pode ser encontrada na página do instituto Veblen.

O relatório da Comissão, formada por economistas, um veterinário e um especialista em direito comercial internacional, também alerta para o facto das estimativas das emissões de gases de efeito de estufa terem sido amplamente subestimadas no relatório de impacto encomendado pela Comissão Europeia. Este facto já tinha conduzido a uma acção legal contra o acordo, tendo em conta os erros grosseiros desse documento.

A comissão considera que, “se por um lado o tratado possui cláusulas sobre a protecção da biodiversidade e combate às alterações climáticas, estas últimas não são vinculativas e “oferecem garantias relativamente frágeis”. Mathilde Dupré, do Instituto Veblen, acrescenta que “o acordo com o Mercosul é incompatível com o ‘Green Deal’ (Pacto Verde) europeu e com as questões globais”.

Na sequência destes desenvolvimentos, segundo a RFI, « trinta e seis entidades e personalidades francesas pedem nesta quarta-feira à União Europeia que abandone o acordo assinado pelo bloco com o Mercosul, no ano passado. Nma petição publicada no site da rádio France Info, os signatários afirmam que a aplicação do acordo teria impactos nas florestas, no clima e em questões de direitos humanos. O texto evoca os 33 activistas assassinados em 2019 na Amazônia e condena o que seria conceder um cheque em branco às multinacionais para intensificar o comércio entre as duas regiões, sem considerar os graves impactos ambientais e sociais do acordo. »