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EU-Mercosul: Um protesto na rua contra a insanidade

EU-Mercosul: Um protesto na rua contra a insanidade

EU-Mercosul: Um protesto na rua contra a insanidade

Ontem de madrugada na Praça do Comércio, um grupo de colectivos da sociedade civil lançou, em letras gigantescas, um apelo à sensatez.

Sensatez que, em particular o governo português, com a sua arreganhada insistência na ratificação deste absurdo acordo, demonstra não ter, por amor a supostas portas abertas a negócios além-mar.

Toda a rede de acordos de livre comércio que a União Europeia anda diligentemente a tecer padece de sérios problemas. Estes ditos acordos de “nova geração” reduzem tudo ao comércio e à liberalização, sem ter verdadeiramente em conta coisas menores como os direitos humanos ou a sustentabilidade. Têm, sim, capítulos rendilhados com belas palavras alusivas a um mundo melhor, mas que disso não passam. Ao contrário dos capítulos de protecção ao investimento estrangeiro, esses sim, “com dentes”, os valores “soft” são embalados em moles declarações de intenções.

Porém, este Acordo EU-Mercosul, assinado em 2019 mas que ainda carece de ratificação e tem como alvo abranger 780 milhões de pessoas, ultrapassa tudo o que até agora se tem visto em matéria de insanidade.

Desde provocar o aumento das emissões de gases de efeito de estufa, o aumento da desflorestação e perda de biodiversidade, à incapacidade de salvaguardar os direitos laborais, a ameaça aos povos indígenas que temem o aumento dos conflitos territoriais (os quais recentemente já provocaram a  triplicação dos homicídios de indígenas) até, na União Europeia, ao ataque a uma agricultura e pecuária mais localizada, pondo em risco o sector e a saúde pública  por via da utilização de pesticidas proibidos na UE, os problemas são tantos e tais, que a sua defesa é absurda. O absurdo chega mesmo ao ponto de se delinearem “mecanismos de apoio ao agricultores da UE” para os compensar pelas perdas que teriam face à importação de produtos capazes de desmantelar a sua própria produção.

Felizmente, vários países, como a Áustria e a França, estão a bloquear a  ratificação do acordo. Já Portugal e a Espanha são verdadeiros leões a baterem-se pela sua concretização. Nada regozijaria mais o governo português do que conseguir a sua ratificação durante a actual presidência. Para isso, afirma até acreditar nas promessas sobre redução da desflorestação vindas de um personagem tão duvidoso quanto Jair Bolsonaro…

Este acordo insere-se num paradigma obsoleto que está a dar cabo do planeta. Não há como querer promovê-lo e andar a encher a boca de ambição climática. Aliás, não há como querer promovê-lo, seja como for.

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