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Mais agricultores contra o acordo UE-Mercosul

Mais agricultores contra o acordo UE-Mercosul

Mais agricultores contra o acordo UE-Mercosul

Os acordos de comércio internacional muitas vezes trazem prejuízos aos pequenos agricultores europeus e por essa razão muitas confederações e outras associações de pequenos agricultores têm-se manifestado contra os mais recentes acordos de comércio.

Algumas organizações de agricultores, no entanto, têm reagido com indiferença ou apoio face aos recentes acordos de comércio, como o CETA, o JEFTA e até o TTIP. No entanto, os prejuízos que o Acordo UE-Mercosul vai trazer ao sector agrícola europeu são de tal forma devastadores, que até a DBV (a associação dos agricultores alemães) e a FNSEA (federação nacional dos sindicatos no sector agrícola), que não se opuseram a nenhum outro acordo comercial recente, escreveram uma carta conjuta a alertar a sociedade europeia para este problema.

A carta começa por dizer que «fornecer alimentos saudáveis ​​e acessíveis aos consumidores num ambiente estável e resiliente, está e sempre estará no cerne do que os agricultores fazem. A crise da Covid-19 já demonstrou ainda a importância de uma agricultura europeia sólida e da produção doméstica, para a segurança alimentar». Efectivamente, nenhum acordo comercial constitui uma ameaça tão grande para a soberania alimentar à escala europeia como este, o que constitui um risco tremendo, como as disrupções causadas no início da presente pandemia vieram a demonstrar.

A carta reforça que «A política comercial da União Europeia deve abordar a questão do comércio agrícola seguindo uma abordagem mais equilibrada. Produtos sensíveis devem permanecer protegidos. É essencial para sistemas agrícolas europeus sustentáveis ​​que o comércio agrícola cumpra regras mínimas equivalentes no que concerne à protecção do meio ambiente, clima e animais» e que «As importações de alimentos de países terceiros não devem infringir as normas europeias que implicam custos adicionais para os agricultores europeus em termos de protecção dos consumidores, do ambiente, do clima e dos animais.»

No entanto, diz a carta, «O acordo UE-MERCOSUL é um exemplo de política comercial “desadequada”. Deve ser revisto e adaptado aos objetivos do Acordo Verde, que será vinculativo para os agricultores europeus. Uma “declaração” não será suficiente, o acordo terá de ser alterado.»

Por todas estas razões, a Ministra da Agricultura deveria manifestar uma posição firme contra este acordo, em vez de apoiar o governo de Bolsonaro na sua vontade de devastar o meio ambiente à custa dos trabalhadores brasileiros e dos agricultores europeus.

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