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Não é só a Amazónia que está em chamas, agora é a vez do Pantanal

Não é só a Amazónia que está em chamas, agora é a vez do Pantanal

Não é só a Amazónia que está em chamas, agora é a vez do Pantanal

Não é só a Amazónia que está a arder no Brasil. O Pantanal está a ser consumido pelas chamas há mais de 20 dias e o descaso do governo brasileiro acaba de incentivar a destruição do último refúgio de mata protegida onde se encontrava o Projeto Arara Azul. O Pantanal é o principal ecossistema de alagados da contínuos, e representa o habitat com maior biodiversidade da Terra e abriga 272 espécies de peixes, 41 de anfíbios, 103 de répteis, 463 de aves e 132 de mamíferos, animais estes que em alguns casos estão em extinção como é o caso da onça pintada e da arara azul.

O Pantanal arde como consequência da política ambiental equivocada do “Passa a Boiada” do governo Bolsonaro. O desmatamento pode ser o maior vilão porque ao contrário da Amazônia, o Pantanal pode ter incêndios naturais, mas não é a natureza que explica o aumento de 248% dos focos de calor. Este incêndio florestal também é resultado do desmantelamento das estruturas de controlo e combate aos fogos.

Em entrevista, Alexandre Pereira, Analista Ambiental da PrevFogo IBAMA de Mato Grosso do Sul, declara que neste momento no Pantanal de Corumbá o efectivo de combate a incêndios florestais é composto por 30 operacionais e que só pode contar com barcos. Neste momento o Pantanal enfrenta uma das maiores secas registadas: só este ano, houve um volume de pluviosidade 50% mais baixo e o nível do Rio Paraguai, o principal formador do Pantanal, chegou à menor marca das últimas cinco décadas.

Para o engenheiro agrónomo Felipe Dias, director executivo na organização não governamental SOS Pantanal,  a maior ameaça para o Pantanal é a conversão da paisagem natural para paisagem de antropomorfizada de tendência agrícola, além dos problemas já conhecidos associados à crise climática que tem modificado o ciclo das chuvas no Pantanal. Apesar da pluviosidade média ser quase a mesma todos os anos, o período crítico de seca é muito mais extenso e o período de chuva é mais intenso e mais curto.  A desflorestação e os incêndios florestais diminuem a cobertura dos solos causando maior lixiviação e consequente assoreamento dos rios da região.

O Pantanal precisa de floresta e os investigadores afirmam que o aumento dos incêndios na região é consequência do desmatamento na Amazónia, pois é de lá que vem toda a humidade que alimenta o Pantanal. Na Amazónia, as áreas desflorestadas aumentaram no último ano 34,5%. Segundo Márcio Astrini do Observatório do Clima “os dados do Inpe,  indicam que o Brasil fracassou no cumprimento da sua lei de clima, cuja meta para 2020 era limitar o desflorestação da Amazónia a no máximo 3925 km2. Isso também nos desvia da rota do Acordo de Paris, o que criará uma série de dificuldades comerciais para o Brasil no período crítico de recuperação económica no pós-pandemia”.

Diante destes factos todos, está mais que provado que ratificar o Acordo EU-Mercosul com o pretexto de que assim haveria um instrumento de controlo e preservação do meio ambiente e o compromisso com o cumprimento do Acordo de Paris é um equívoco. Pelo contrário, é a iminência da ratificação do acordo que tem ajudado a intensificar esta devastação ambiental. Participa nas nossas campanhas contra a ratificação deste acordo e ajuda a combater a crise climática, a injustiça ambiental e o comércio tóxico.

No Link que se segue assista a matéria feita pela TVI no dia 18 de agosto de 2020, Jornal da Uma  , minuto 57.8