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Negociar com a Europa é fácil, diz Trump – e vamos importar mais carne americana

Negociar com a Europa é fácil, diz Trump – e vamos importar mais carne americana

Negociar com a Europa é fácil, diz Trump – e vamos importar mais carne americana

Trump ameaçou a União Europeia com taxas aduaneiras pesadas na indústria automóvel, a não ser que a União Europeia facilitasse o acesso ao seu mercado, nomeadamente no que diz respeito à indústria agropecuária.

E negociar com a Europa é fácil, diz Trump: “Basta impor taxas sobre os carros que dão-nos tudo o que quisermos”.

As limitações no acesso da indústria agropecuária americana ao mercado europeu sempre tiveram toda a razão de ser, por duas razões. Por um lado porque a legislação associada ao bem-estar animal é mais forte na UE do que nos EUA, e por isso a ausência de barreira resultaria numa competição desleal que conduziria à deslocalização da produção para os EUA e em sofrimento animal acrescido.

Por outro lado porque a legislação europeia também é mais rigorosa na defesa da saúde pública, proibindo práticas como o uso de hormonas para a engorda, o uso de Arsénico, o uso de cloro, o uso excessivo de antibióticos (nos EUA corresponde a 80% do consumo) para compensar a falta de condições espaciais e higiénicas, etc.

Mesmo que um produtor americano alegue cumprir as condições impostas pela UE (evitando o uso de hormonas, por exemplo) tendo em vista a exportação, o facto das instituições europeias não terem forma de garantir o cumprimento destas regulamentações corresponde à partida a uma vantagem competitiva considerável por parte dos produtores americanos que ajuda a explicar como conseguem alcançar preços mais competitivos.

Perante a ameaça de Trump, esperar-se-ia por parte da Comissão Europeia uma posição de força. Não ceder perante ameaças gratuitas, não beneficiar este tipo de agressão, proteger os valores consagrados nas nossas leis.

Não foi isso que aconteceu. Trump anunciou no dia 2 de Agosto uma vitória em toda a linha.

As exportações de carne para a União Europeia livres de taxas aduaneiras deverão triplicar dos 150 milhões de dólares para 420 milhões de dólares. Não foram anunciadas nenhumas contrapartidas do ponto de vista do acesso ao mercado americano.

Acrescidamente, o acordo foi encarado como um passo em direcção ao TTIP.

É uma derrota para os defensores dos direitos dos animais em primeiro lugar, para os produtores agropecuários europeus em segundo, e por fim para todos quantos acreditam que a política de intimidação de Trump não deve ser recompensada. Este acordo pode aumentar as suas probabilidades de ganhar as eleições, mas tanto os animais como os agricultores europeus serão duramente afectados.