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Num “cenário ambicioso”, o impacto do TTIP na economia portuguesa é de 0,4%

Num “cenário ambicioso”, o impacto do TTIP na economia portuguesa é de 0,4%

Num “cenário ambicioso”, o impacto do TTIP na economia portuguesa é de 0,4%

Relatório europeu projecta impactos económicos do acordo comercial com EUA. Ganho para a economia portuguesa é menor ao previsto num estudo encomendado pelo Governo anterior.

Enquanto a União Europeia se prepara para mais uma ronda de negociações com os Estados Unidos em torno da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP na sigla inglesa), Bruxelas deu a conhecer nesta sexta-feira um relatório encomendado a uma consultora europeia onde identifica os impactos esperados do controverso acordo nas economias da UE, nos fluxos das mercadorias e nos salários nas diferentes economias europeias.

O relatório de quase 400 páginas, elaborado pela consultora holandesa Ecorys, prevê que, “depois de o tratado ser implementado na totalidade”, em 2030, a diferença no Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia com e sem TTIP seja de 0,5%. Isto num cenário ali descrito como “ambicioso”, baseado na redução de um determinado nível de direitos aduaneiros e de barreiras não tarifárias entre os dois blocos.

Há países europeus em que a melhoria ultrapassa 1%, mas o impacto para a economia portuguesa é bem mais limitado, não indo além de um acréscimo de 0,4%. A projecção macroeconómica feita pela Ecorys para a Comissão Europeia não se refere a uma diferença na taxa de crescimento, mas no valor do PIB. Para evitar equívocos na leitura dos dados, e tomando como exemplo o número projectado para o conjunto dos países da UE, o relatório explica que não é correcto olhar para o aumento de 0,5% como se se tratasse de um “adicional de 0,035% por ano” até 2030, dividindo os 0,5% por 14 anos. O pressuposto é este: se o TTIP se concretizar, o PIB da UE seria 0,5% mais alto em 2030, o ano da sua aplicação plena. Para os Estados Unidos, prevê-se que a diferença seja de 0,4%.

O secretismo com que têm sido conduzidas as negociações do acordo – que começaram em Julho de 2013 e, até ao final de Abril, já levavam 13 rondas de negociações, estando a próxima prevista para Julho, em Bruxelas – foi quebrado com a revelação de documentos confidenciais por parte da Greenpeace. A fuga de informação permitiu conhecer alguns documentos e fez aumentar os alarmes em relação a vários pontos sensíveis das negociações, depois de já terem sido levantadas dúvidas sobre saúde pública, segurança alimentar, ambiental ou mesmo quanto ao risco de sair dos tribunais a resolução de conflitos entre as multinacionais e os Estados.

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Pedro Crisóstomo no www.publico.pt
14/05/2016 – 08:20