As conclusões apuradas na investigação “Impactos del acuerdo Mercosur unión Europea sobre las Mujeres – precarización, pérdida de empleo y pobreza” feita por Agostina Costantino, Pato Laterra e María Julia Eliosoff, entre outros investigadores, e publicada por “PowerShift”, “Rede Brasileira Pela Integração dos Povos” (REBRIP), “Instituto Eqüit”, “ATTAC Argentina”, “Asamblea Argentina Mejor Sin TLC”, evidenciam que o acordo EU-Mercosul afectará de maneira desproporcionada as mulheres e as pessoas LGTBQ+, dos quatro países do Mercosul, sobretudo as que se encontrem numa situação precária, com a consequente perda de emprego e, portanto, aumento da pobreza.
Isto, porque o carácter assimétrico do acordo, aprofundaria o papel do Mercosul como fornecedor de matérias primas, acelerando assim o processo de desindustrialização e dificultando o desenvolvimento tecnológico.
Muitas trabalhadoras qualificadas ver-se-iam assim obrigadas a aceitar postos de trabalho com remunerações inferiores às que poderiam auferir. A concorrência com produtos europeus mais baratos prejudicaria sobretudo as mulheres da indústria têxtil onde estão em maioria e o alargamento das zonas de monocultura onde as mulheres também são maioritárias, continuaria a prejudicar fortemente a sua saúde, devido ao uso intensivo de agrotóxicos.
O incentivo à privatização de serviços públicos aumentaria os preços dos medicamentos e dos alimentos e, mais uma vez, os sectores do povo mais prejudicados seriam as mulheres, sobretudo as racializadas, e a comunidade LGBTQ+, devido à organização patriarcal dos países do Sul global onde qualquer impacto sobre a prestação de cuidados recai sobre as mulheres.
Exigem por isso:
- Que o acordo UE-Mercosul, na sua forma actual, não seja assinado.
- Que se realize uma avaliação prévia do impacto a nível de género e ambiental nos futuros acordos.
- Que em todos os capítulos dos acordos futuros, os efeitos sobre as mulheres, as pessoas racializadas e LGTBQ+ e marginalizadas sejam uma preocupação a ter em conta.
- Que os sectores económicos que são especialmente relevantes para colmatar as disparidades de género, como os serviços públicos, a produção alimentar e os medicamentos, sejam excluídos dos acordos comerciais.
O estudo corrobora mais uma vez que há que travar este acordo tóxico.
In Mejor Sin TLC https://argentinasintlc.org/2023/10/18/nuevo-informe






