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O acordo UE-Mercosul está morto?

O acordo UE-Mercosul está morto?

O acordo UE-Mercosul está morto?

Estaria prevista ainda para este ano a votação no Conselho da UE da ratificação do acordo UE-Mercosul. Até lá, era possível identificar uma espécie de “braço de ferro” entre governos mais reticentes (Bélgica, França, Irlanda, Luxemburgo), governos cujos parlamentos tinham sido claros na oposição ao acordo (Holanda, Áustria), e governos entusiastas do acordo UE-Mercosul (em primeiro lugar o da Alemanha – que tinha assumido esse compromisso para o seu mandato na Presidência do Conselho – mas também o de Espanha e o… de Portugal).

Tendo em conta as ameaças que o acordo UE-Mercosul representa para para o ambiente, para os Direitos Humanos, para os agricultores, trabalhadores, e para a população em geral, e TROCA tem procurado ajuda para fazer chegar ao governo português estas preocupações.

Surpreendentemente, soube-se no dia 21 de Agosto que Angela Merkel tem “sérias dúvidas” sobre o futuro do acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul. As declarações surgiram na sequência de uma conversa entre a chanceler e as representantes do movimento “Fridays for Future”, incluindo Greta Thumberg.

Mais promissoras ainda são as palavras de Luisa Neubauer, representante do “Fridays for Future”, no Twitter: “Angela Merkel aprovou as nossas críticas ao acordo com o Mercosul e não pretende assiná-lo”.

A ser verdade, fica claro que o acordo não será ratificado em 2020. A Alemanha era o país mais interessado nesta ratificação, e sem o seu apoio dedicado o acordo já não teria possibilidade de ser aprovado, e se a Alemanha juntar a sua voz à oposição, muito menos.

Será altura de cantar vitória e baixar os braços? Estamos convencidos que não.

Em primeiro lugar porque Angela Merkel pode ter sido mal interpretada por Luisa Neubauer ou voltar atrás na sua palavra. Pode encontrar um pretexto qualquer para alegar que lhe foram dadas garantias acrescidas e decidir prosseguir com a ratificação do acordo no Conselho no calendário previsto.

Em segundo lugar porque é possível que se pretenda apenas “ganhar tempo”. Não votar a ratificação do acordo para já, eventualmente esperar pela eleição de outro líder no Brasil, fazer alterações cosméticas no acordo e alegar que se trata de um acordo muito diferente. Seja qual for a situação, continuaremos a pedir a ajuda de todos para participarem na luta contra o acordo UE-Mercosul.