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Tragédia e impunidade de Rana Plaza assinalada em frente a lojas envolvidas

Tragédia e impunidade de Rana Plaza assinalada em frente a lojas envolvidas

Tragédia e impunidade de Rana Plaza assinalada em frente a lojas envolvidas

No dia 24 de Abril, activistas da rede europeia STOP-ISDS recordaram a tragédia de Rana Plaza, ocorrida 6 anos antes, em frente a várias lojas de roupa associadas à tragédia.

Em 2013, na periferia de Daca, Bangladesh, 1135 pessoas morreram após o desabamento do edifício Rana Plaza, prédio que abrigava fábricas têxteis. Quase 2500 funcionários ficaram feridos e até hoje sofrem as consequências do desabamento. O imóvel deveria ter sido interditado no dia anterior ao colapso devido a fissuras na estrutura, mas os proprietários das fábricas obrigaram mulheres e homens a irem trabalhar. As vítimas e suas famílias exigiram 71 milhões de dólares em indemnizações, mas as empresas envolvidas não chegaram a pagar nem metade desse valor.

A tragédia revelou, além do amplo incumprimento das normas básicas de segurança no país, o lado obscuro da indústria de vestuário internacional, evidenciando a insuficiência de medidas voluntárias para garantir a segurança no trabalho, padrões sociais e indemnizações em consequência de acidentes. A tragédia revelou também a impunidade de várias empresas envolvidas que não contribuíram para o “Rana Plaza Donors Trust Fund”, destinado a indemnizar as vítimas, para o qual a participação era meramente voluntária.

A rede STOP-ISDS, que inclui centenas de associações e colectivos em toda a Europa, lançou uma petição que exige legislação que consagre o dever das empresas respeitarem os direitos humanos e o ambiente nas suas operações em todo o mundo, bem como o apoio ao estabelecimento de um tratado vinculativo na ONU que responsabilize as empresas transnacionais por violações dos direitos humanos. A rede afirma que qualquer destas propostas, além de garantir justiça para as vítimas de Rana Plaza, tornaria acidentes como este muito menos prováveis no futuro. A petição já conta com mais de meio milhão de assinaturas em toda a Europa, e mais de 3.000 assinaturas portuguesas.

Os activistas estiveram em frente à loja Mango, na Rua Augusta, em Lisboa, sensibilizando os transeuntes para a recusa desta e outras marcas em indemnizar devidamente as vítimas e as suas famílias e para a necessidade de um comércio internacional mais justo.