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UE – Mercosul: As intenções do governo alemão

UE – Mercosul: As intenções do governo alemão

UE – Mercosul: As intenções do governo alemão

Foi lançado no último dia de Junho o plano de ação dos próximos seis meses de  preparação para a Alemanha assumir a presidência rotativa da União Europeia. Esta presidência terá início num contexto complicado, com a pandemia Covid-19 e um determinado “desconforto” entre algumas posições políticas que o resto da Europa tem e que são diferentes das de Berlim.

A política de defesa da concorrência que em 2019 proibiu a fusão Alstom-Siemens e a oferta de serviços será um assunto em discussão, assim como a resiliência da cadeia de produção e redução da dependência de importação com uma incrível abordagem “menos liberal “que a UE.

Quanto aos acordos de livre comércio pendentes, a Alemanha delineia 4 grandes áreas prioritárias com resoluções bilaterais importantes:

  • UE – EUA – questões políticas e comerciais;
  • UE – Reino Unido – criação da comissão de comércio e agricultura;
  • UE – China;
  • União Africana – UE – apoio a criação da área de Livre Comércio Continental Africana.

Sobre o acordo UE–Mercosul e o UE-México, o texto afirma: “A conclusão de acordos de livre comércio e protecção de investimentos é uma contribuição fundamental para a diversificação e segurança das cadeias de produção e para a dinâmica de crescimento necessária. O nosso objetivo é avançar rapidamente na finalização do acordo com o Mercosul e do acordo modernizado com o México”.  O texto  declara também o apoio às comissões de negociação com a Nova Zelândia e a Austrália, assim como as propostas de pacto com o Chile, Indonésia e Tunísia.

A Alemanha tem sido “bombardeada” pelas mensagens das ONGs de todo o mundo empenhadas em fazer com que a UE não ratifique o acordo com o Mercosul nos actuais termos. Berlim respondeu que a efectivação destes acordos é um instrumento de promoção para a sustentabilidade e que se vão verificar algumas mudanças nas negociações.

De facto há uma especial dedicação a este assunto concreto, nas pressões que o governo alemão vem recebendo das organizações da sociedade civil. No entanto, não há mudanças que possam ser executadas no actual documento (desconhecido na sua totalidade) que possam reflorestar os mais de 1000 km2 de Mata Amazónica, Cerrado, Gran Chaco Paraguaio e Mata Atlântica que foram queimados e recuperar as 27 vidas de dirigentes indígenas que morreram em virtude de conflitos armados com a assinatura do documento do Acordo UE–Mercosul  em Junho de 2019.