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Greenpeace não quer “areia para os olhos”

Greenpeace não quer “areia para os olhos”

Greenpeace não quer “areia para os olhos”

Em Outubro de 2020 foi aprovada no Parlamento Europeu, com 345 votos a favor e 295 contra uma emenda que “enfatiza que o acordo UE-Mercosul não pode ser ratificado nos actuais termos”. Além do Parlamento Europeu, o próprio Comissário Valdis Dombrovskis afirmou que o acordo não seria submetido nos actuais termos, o que surgiu na sequência da pressão dos movimentos ecologistas sobre o governo alemão que ocupava a Presidência do Conselho da UE na altura.

No entanto, o significado de “não nos actuais termos” pode ter várias interpretações, e as mesmas ainda estão em disputa. Existem três possibilidades mais relevantes:

  1. Acordo Independente (“Side Letter” ou Protocolo)
  2. Declaração Interpretativa
  3. Renegociação do acordo

 

A TROCA tem afirmado que uma declaração interpretativa seria uma opção absurda, na medida em que a mesma, se for levada em consideração (o que é incerto), apenas pode clarificar o que consta do acordo, sem nunca alterar o seu conteúdo substantivo. Se, substantivamente, o acordo tem graves lacunas no que toca à protecção ambiental e de Direitos Humanos, não seria a declaração interpretativa que as iria eliminar.

No que concerne às opções relativas ao acordo independente, a leitura da TROCA é que um acordo que fosse consequente dificilmente seria aceite por Jair Bolsonaro. Pelo contrário, o entusiasmo de Jair Bolsonaro pelo acordo UE-Mercosul resulta da sua vontade de agradar ao agronegócio, o mesmo sector que tem encorajado uma atitude desregrada e criminosa em relação à floresta Amazónica.

Em Abril a Greenpeace publicou um parecer jurídico sobre esta questão que vai um pouco mais longe. O parecer, após mostrar com clareza as insuficiências do acordo, do ponto de vista legal, em evitar que contribua para a devastação ambiental e violações graves dos Direitos Humanos, mostra que, das três, a renegociação do acordo é a única solução adequada, sem fazer quaisquer considerações sobre o governo de Jair Bolsonaro em particular.

O parecer, que a TROCA disponibiliza em português, conclui que a renegociação seria a única forma de possibilitar que o acordo não tivesse um impacto desastroso na biodiversidade, no ambiente e nos Direitos Humanos. Num olhar mais abrangente, no entanto, há que considerar também a possibilidade de rejeição, pura e simples, do acordo.