por João Ferreira
A União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA) iniciaram em Junho de 2013 negociações tendo em vista a celebração daquilo a que chamaram um Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (Transatlantic Trade and Investiment Partnership, TTIP, na terminologia anglo-saxónica).
A intenção anunciada é a da criação de uma grande área de livre comércio e investimento entre os dois blocos, que juntos representam quase metade do Produto Interno Bruto mundial e um mercado agregado de 800 milhões de pessoas. Esta área abarcaria mais de um terço do comércio mundial.
Mas a intenção profunda, o significado e as consequências deste Acordo vão muito além do anunciado pelas partes.
Decorridas sete rondas negociais (a última das quais terminou em Outubro de 2014), a contestação ao TTIP cresce nos dois lados do Atlântico, à medida que se alarga a percepção pública sobre o seu conteúdo e consequências. Ao mesmo tempo, emergem contradições entre as partes – expressão de interesses contraditórios entre os diferentes sectores do capital que têm vindo a impulsionar todo o processo. Apesar disso, EUA e UE continuam a afirmar ser possível ter um acordo concluído antes do final de 2015. Em que medida os esforços de concertação prevalecerão ou não sobre a crescente contestação e sobre as contradições emergentes só os próximos meses o dirão.





