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A TROCA no III Encontro Internacional da FIBRA

A TROCA no III Encontro Internacional da FIBRA

A TROCA no III Encontro Internacional da FIBRA

No passado dia 22 de Abril, activistas da TROCA participaram no III Encontro Internacional FIBRA – Re-existir. Re-construir, integradas no grupo de trabalho Meio Ambiente, Povos Originários e Acordo UE-Mercosul:

A TROCA focou a sua intervenção no Acordo UE-Mercosul, explanada nos seguintes pontos:

  • Razão da presença da TROCA – O colectivo trabalha numa rede, não só a nível europeu, mas também transatlântico, com o objectivo de trabalhar conjuntamente para partilhar informação e exercer pressão sobre os governos para pararem o acordo UE-Mercosul.
  • Breve historial sobre o acordo: O acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul (UE-Mercosul) esteve em negociação durante 20 anos, em 2019 foi assinado um “acordo de princípio”; Bolsonaro revelou grande interesse em assinar, mas a desconfiança que existia pelo lado da UE bloqueou o acordo durante mais três anos. Nessa altura ocorreram fortes protestos, mais de 400 organizações da sociedade civil de ambos os lados do Atlântico afirmaram que o acordo ia contra o planeta, as pessoas e o bem-estar dos animais, servindo apenas aos lucros das grandes multinacionais. Em Novembro do ano passado, uma delegação de representantes do Movimento Sem Terra (MST), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), da ONG ambientalista Amigos da Terra e um advogado defensor dos direitos humanos fizeram uma tour em vários países europeus para encontros com parlamentares europeus e representantes da sociedade civil, em que reafirmaram a oposição de 200 entidades brasileiras a este acordo.
  • O acordo no contexto político do Mercosul – Desde a feliz mudança no Brasil, a Comissão Europeia e os países do Mercosul declararam querer avançar. Entretanto, a UE preparou um protocolo adicional visando contornar as deficiências do acordo sobre questões ambientais e de direitos. Apesar de tudo ser mantido no maior secretismo, soube-se que o documento foi criticado pelos governantes do Mercosul e que estarão a preparar um contra-documento adicional.
  • Implicações do Acordo – Os problemas do acordo UE-Mercosul são estruturais. Ele promove o comércio de produtos ligados à desflorestação, às alterações climáticas e às violações dos direitos humanos, principalmente de indígenas e quilombolas. Não há forma de um protocolo adicional poder inverter isto. Ele vai apenas aprofundar um modelo comercial que destrói a vida das comunidades e aumenta a destruição dos ecossistemas.
  • Situação actualA reabertura do texto é considerada inexequível, e como tal a TROCA, tal como centenas de outras organizações da sociedade civil, dizem Não ao acordo UE-Mercosul.
  • O que pretendem as organizações envolvidas nesta causa – A rede Stop UE-Mercosul propõe uma relação diferente entre o Mercosul e os países e povos da UE, baseada na solidariedade, igualdade, cooperação, sustentabilidade e democracia.
  • O que a TROCA propõe – Manter contacto com os colectivos presentes, reunir esforços e ao longo dos próximos meses, realizarmos actividades em Portugal por esta causa, ou seja, contra o acordo, que é comum aos povos de ambos os lados do Atlântico.

 

A sessão terminou com a mensagem da jornalista  Maria Luiza Busse e a apresentação teatral “Max baixou em mim – uma comédia indignada”, adaptação da peça teatral Marx in Soho, do norte americano Howard Zinn, dirigida e interpretada pelo actor brasileiro, Jitman Vibranovski.

Deste Encontro resultou o “Manifesto dos Cravos”, sendo que um dos pontos vem ao encontro do que levou a TROCA a participar no evento:

  • A não ratificação do Acordo UE – Mercosul, uma vez que este acordo desrespeita os princípios de justiça, direitos sociais, ambientais, particularmente os dos povos originários e demais povos tradicionais;

A TROCA agradece à FIBRA a oportunidade de debate e de união de esforços no combate a este tratado que tão prejudicial seria para os povos de ambos os lados do Atlântico.