Com as temperaturas na Sibéria a chegar perto dos 40º C, e outras ondas de calor sem precedentes causando milhares de mortos, existem poucas dúvidas de que o combate às alterações climáticas é necessário e urgente.
No entanto, os políticos europeus parecem relutantes em remover o maior obstáculo ao combate às alterações climáticas: o Tratado da Carta da Energia (TCE). De facto, teve recentemente lugar a sexta ronda de negociações relativas à modernização do tratado, a qual foi praticamente inconsequente. Estas rondas de negociações nunca poderão permitir que o TCE se compatibilize com o Acordo de Paris já que as propostas europeias em discussão são ao mesmo tempo demasiado tímidas para conciliar ambos os acordos e demasiado ambiciosas para que tenham uma hipótese realista de conseguir a aprovação unânime necessária. Este processo de negociações pode, pelo contrário, ganhar (perder) tempo para que o processo de alargamento em curso se vá consolidando, fazendo com que os estados-membros da UE fiquem ainda mais presos (pela cláusula de caducidade) a este acordo tóxico.
A Itália já tinha abandonado este acordo (na sequência das ameaças à região de Abruzzo), e o governo de Luxemburgo já tinha apelado a uma saída colectiva por parte dos países da UE, embora tenha depois recuado na sua posição.
Entretanto, tanto Espanha como França se manifestaram publicamente a favor de um abandono colectivo do Tratado da Carta da Energia. A pressão popular pelo abandono foi-se intensificando, tendo uma petição a favor de um abandono imediato conquistado mais de um milhão de assinaturas.
Mais recentemente noticiámos neste espaço o posicionamento do governo polaco, favorável também ao abandono. A rejeição de um sistema de justiça privada que protege os combustíveis fósseis através do TCE está, felizmente, a ganhar força: agora é a Grécia que também se junta a este grupo de países.
Infelizmente o governo português não faz ainda parte desta aliança. É fundamental pressionar o governo português para que defenda o clima e combata as alterações climáticas de forma consequente em vez de simbólica. Urge assinar a petição para travar o Tratado que bloqueia o Acordo de Paris.






