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E vão três – o chimbalau na Bayer

E vão três – o chimbalau na Bayer

E vão três – o chimbalau na Bayer

É o terceiro caso em que um júri dos EUA pronuncia uma pesada sentença contra a Monsanto, colocando de rastos a Bayer, que há apenas uns meses a comprou por 54 mil milhões de euros.

Mais uma vez cancro, mais uma vez o herbicida Roundup e o seu funesto glifosato.

A primeira condenação em 81 milhões de dólares, a segunda em 290 milhões e agora em mais de dois mil milhões de dólares. A Bayer anunciou que irá recorrer da decisão e espera que os veredictos sejam anulados em segunda instância – o que é pouco provável; mais provável será uma redução dos valores. Seja como for, os custos dos processos são substanciais e entretanto, o seu número nos EUA disparou para 13.400, com tendência crescente.

Mischa Erhardt, repórter da Deutschlandfunk, faz uma análise soturna da situação para a Bayer: O CEO da Bayer, Werner Baumann, já garantiu um lugar nos livros de História, por ter levado a cabo a maior aquisição da história económica alemã – contra toda a resistência que desde o início acompanhou as negociações da fusão, pela péssima reputação da Monsanto na Alemanha e no mundo, pela controversa engenharia genética, pela forma selvagem como usou o seu poder de mercado para tornar os agricultores de todo o mundo dependentes do grupo. E pelos métodos da Monsanto para exercer uma influência tão directa quanto possível na política e na legislação. Mas Baumann quis ir com a cabeça contra a parede e completou a fusão, apesar de, no final das negociações, ser mais que sabido que nos tribunais dos EUA já se tinham acumulado milhares de acções judiciais contra a Monsanto.

Erhardt conclui: Baumann poderá assim ocupar um outro  lugar nos livros de História: o de ter dado cabo da empresa Bayer. Com a Monsanto, o valor da Bayer é agora menor do que o preço de compra da Monsanto; a própria Bayer é agora uma potencial candidata a uma aquisição. Ninguém em seu perfeito juízo correrá um tal risco.

Desde 2015 que a Organização Mundial de Saúde classificou o glifosato como substância provavelmente cancerígena. Mas o poder do lobby da Monsanto revelou-se por via da Agência de Protecção Ambiental dos EUA e das autoridades reguladoras da UE, que atestaram o contrário. Ainda em Novembro de 2017, uma maioria qualificada dos estados-membros da UE aprovou  a prorrogação da autorização por mais cinco anos. Inicialmente, a Comissão queria avançar com um período de 15 anos.

Quantas manifestações, quantas petições, quantos protestos pelo mundo fora. O Tribunal Monsanto. Quanto sofrimento.

Finalmente, parece que o poder deste lobby está a ser vergado.

Razão para festejar cada caso de vitória. Um festejo dolorido, em solidariedade com as vítimas. E uma esperança de que esteja a aproximar-se o fim do reinado deste veneno mortífero e dos seus poderosos promotores.

 


P.S. No dia 18 de Maio de 2019, sairá à rua em várias cidades do mundo a Marcha contra a Bayer/Monsanto e demais empresas ligadas aos organismos geneticamente modificados (OGM) e aos agroquímicos. A cidade do Porto junta-se novamente a esta iniciativa: Encontro marcado às 15h00 na Praça dos Poveiros.


Por
https://aventar.eu/2019/05/15/e-vao-tres-o-chimbalau-na-bayer/