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Milhões contra a Monsanto: “Regenaration International”

Milhões contra a Monsanto: “Regenaration International”

Milhões contra a Monsanto: “Regenaration International”

Encontramo-nos hoje no meio de uma batalha entre duas abordagens opostas sobre agricultura. Uma é a agroecológica baseada no uso das sementes livres tradicionais, biodiversidade e na vida em harmonia com a natureza. A outra tem a ver com o mundo mecanicista de um sistema industrializado baseado na monocultura, pesticidas, venenos e OGM, onde os cartéis dos químicos competem pela destruição dos nossos ecossistemas. (brochura da Assembleia Popular de Haia, 14/10/2016: Sementes de Liberdade)

 

O Tribunal Monsanto

Entre 14 e 16 de Outubro, milhares de activistas, jornalista e testemunhas de todo o mundo reuniram-se em Haia, sede do Tribunal Internacional de Justiça, para julgar a Monsanto por crimes contra a humanidade e a natureza (ecocídio). Com as suas sementes e pesticidas, a Monsanto está a poluir cerca de 10% das colheitas mundiais…Os seus exércitos de advogados e burocratas têm espalhado falsidades nos media e em publicações científicas, intimidando, processando e ameaçando agricultores e críticos, subornando políticos, académicos e agentes dos governos… De entre essas falsidades, salientamos as seguintes:

1 – Os produtos químicos agroindustriais são seguros;

2 – As sementes e formas de vida podem ser legitimamente patenteadas e monopolizadas;

3 – As colheitas OGM usam menos pesticidas e químicos que as naturais;

4 – Os OGM são a única via para resolver a fome no mundo;

5 – Os alimentos contendo OGM ou derivados são equivalentes aos naturais.

Nota: a Monsanto recusou comparecer no tribunal para apresentar o seu testemunho.

                           ASSEMBLEIA POPULAR MONSANTO

Enquanto decorriam as sessões do tribunal, cerca de 500 activistas participaram na Assembleia Popular, onde se discutiu como prosseguir a luta… Esta Assembleia foi organizada por uma alargada coligação de movimentos de base como Regeneration International, Navdanya (India), Organic Consumers Association, Biovision, Via Campesina, Corporate European Observatory, etc.

A Assembleia concluiu que é fundamental, não apenas livrarmo-nos da Monsanto, mas também da totalidade do sistema degenerado de alimentação, agricultura e uso da terra que nos está a levar à catástrofe ambiental e climática, erosão e desertificação, falta de água, perda de biodiversidade, pobreza, guerra e perda de saúde. As principais ideias que saíram da Assembleia foram estas:

  1. – GLOBALIZAR AS LUTAS. Não há maneira de abater o cartel Monsanto sem organizar e levar a cabo campanhas poderosas, globais e estratégicas… As campanhas locais e nacionais já não são suficientes… As campanhas internacionais a decorrer em muitos países, com destaque para a A. Latina por parte do cartel, com disseminação de OGM, GLIFOSATO, ATRAZINA, PARAQUAT e GLUFOSINATO, só podem ser contrariadas por uma campanha global Norte-Sul que fortaleça as resistências nacionais, mas também reduza as apetências dos mercados por estes produtos e seus derivados. Os produtores sul-americanos não conseguem parar a produção destes alimentos OGM sem o apoio dos activistas e consumidores dos países europeus e China que importam muitos milhões destas sementes para produção animal. Largos boicotes em massa podem ser organizados com base nos resultados de testes e investigações cuidadosas. Ao mesmo tempo, os grupos devem exigir a correcta etiquetagem…. Simultaneamente, é preciso intensificar a luta contra os tratados internacionais como o TPP e o TTIP (CETA e TISA…) para exigir a proibição total dos OGM e seus pesticidas.
  2. – Esperança globalizada. É preciso ultrapassar a tristeza e o desespero e sublinhar que a agricultura regenerativa, a agroecologia, a criação de animais nos pastos, etc, podem não só, mitigar o aquecimento global, melhorar a saúde, reduzir a pobreza rural, parar a destruição ambiental, a guerra, mas sobretudo reverter estas tendências. Mais de 50 milhões de agricultores (10% dos produtores) já praticam estas técnicas regenerativas que absorvem o carbono da atmosfera e o devolvem ao solo. Milhões de consumidores estão a rejeitar os OGM e a comida processada, substituindo-a pela orgânica.
  3. Destruir as divisões que separam os movimentos e organizações. É preciso ultrapassar as divisões, barreiras linguísticas, ideológicas, nacionalistas e outras para começar a construir uma campanha única, internacional, baseada na solidariedade e cooperação concreta coordenada globalmente…

Já não nos podemos dar ao luxo de operar separadamente. Os movimentos anti-OGM, anti-guerra, comércio justo, pela justiça, pelo clima, etc, têm de actuar não apenas a nível local e nacional, mas internacionalmente. Construamos um Movimento Regenerativo suficientemente forte para derrubar a ditadura da Monsanto e da elite global. Vamos embarcar na Longa Marcha de resistência e construir a regeneração.

Ronnie Cummins, director da Organic Consumers Association e membro da coordenação do movimento Regeneration International . 18/10/2016

Tradução e adaptação de Manuel Fernandes

Tribunal Internacional Monsanto em Haia na Holanda

https://www.organicconsumers.org/essays/letter-hague-long-march